A escada de Beto Gebara e Marila Filártiga é uma releitura abstrata da clássica proposta de Dumont
escada

Ao criar uma escada com degraus proeminentes em apenas um dos lados, de forma alternada, Santos Dumont induz o usuário a iniciar a subida com o pé direito, atendendo à superstição de que traria boa sorte

Em ambiente de Beto Gebara e Marila Filártiga para mostra de decoração, há uma preocupação em otimizar o espaço, proporcionando a fusão entre dormitório, estar, jantar e gourmet, sem esquecer do ambiente de trabalho e estudos. Para isso, é apresentada uma solução prática: um mezanino para funcionar como escritório.

Sob esta estrutura, em decorrência do ganho de espaço gerado, pode-se acomodar a bike e o Plantário. Para facilitar o acesso a ela, de forma harmoniosa, os arquitetos recorreram a uma referência histórica nacional, a escada Santos Dumont.

O famoso inventor, ao criar uma escada com degraus proeminentes em apenas um dos lados, de forma alternada, induz o usuário a iniciar a subida com o pé direito, atendendo à superstição de que traria boa sorte.

“Quando optamos por este formato, não só fizemos uma homenagem a este brasileiro ilustre, mas encontramos uma solução escultórica para uma escada que ocupa pouco espaço e oferece conforto”, comenta Beto Gebara.

A criação dos arquitetos é feita em chapas de ferro dobradas, a partir de uma releitura abstrata da clássica proposta de Dumont, com uma base prolongada ou platô que serve de apoio para um quadro, e de onde se inicia o corrimão de um dos lados da estrutura. Além disso, o primeiro degrau, que é um paralelepípedo solto também feito em chapas dobradas, é removível, possível de ser adaptado para a direção da preferência do morador.

Embora seja decorativa, a proposta é arquitetônica. Funciona da mesma forma o cabo de aço que perpassa os ganchos para ligação entre a primeira prateleira da cozinha e o teto numa linha única e diagonal. O design produzido de forma intuitiva na montagem do espaço traduz a eterna celeuma entre estética e função.

“A proposta do suporte da prateleira surgiu durante a obra como uma solução. Mas entendo que uma solução arquitetônica jamais pode ser resolvida apenas funcionalmente. Por estar inserida num contexto de projeto e uma proposta estética, a solução adotada precisaria atender a certas exigências do partido arquitetônico adotado. O cabo de aço que interpassa os ganchos subindo e descendo em linhas diagonais entre a parte superior da prateleira e o teto, dialoga harmonicamente com a proposta do conjunto”, define Beto Gebara.

Serviço:
Gebara & Filártiga Arquitetos
Rua Antônio Rocca, 53 – Sala 02, Santa Mônica, Florianópolis, SC
(48) 3338-9070
webSite: GFArquitetos